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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A internet faz mal ao cérebro?

A internet faz mal ao cérebro?

Um grupo cada vez maior de pesquisadores acha que estamos nos tornando mais distraídos – e mais burros – por causa do uso excessivo dos aparelhos digitais

ALBERTO CAIRO, PETER MOON E LETÍCIA SORG
PREÇO ALTO O biólogo Hebert Campos, em Campina Grande. A internet abriu seus horizontes e acabou com sua concentração. “Perco de um lado, mas ganho do outro”  (Foto: Kleide Teixeira/ÉPOCA)

GERAÇÃO VELOZ Jovens chineses jogam on-line e navegam na internet num cibercafé na província de Hubei.  O cérebro parece se adaptar ao ritmo do computador (Foto: Imaginechina/Corbis)






O escritor americano Nicholas Carr sentiu que algo estranho ocorria com ele há uns cinco anos. Leitor insaciável, percebeu que já não era capaz de se concentrar na leitura como antes. Na verdade, sua ansiedade disparava diante de qualquer tarefa que exigisse concentração – seus olhos procuravam a tela do computador ou do celular. O impulso de espiar na internet era quase incontrolável, diz ele. “Sentia que estava forçando meu cérebro a voltar para o texto”, afirma. “A leitura profunda, antes tão natural para mim, tinha se transformado numa luta.” Tal afirmação abre o livro The shallows – What the internet is doing to our brains (Os superficiais – O que a internet está fazendo com nossos cérebros, ainda sem tradução no Brasil). Nele, Carr faz uma acusação seriíssima: a exposição constante às mídias digitais está mudando, para pior, a forma como pensamos. Ele e um punhado de autores respeitáveis acreditam que, por causa do uso excessivo de computadores e de outros aparelhos digitais, nosso cérebro é alterado e estamos nos tornando menos inteligentes, mais superficiais e imensamente distraídos – o inverso de tudo aquilo que fez de nós a espécie mais bem-sucedida do planeta Terra.
“Em vez de mentes juvenis inquietas e repletas de conhecimento, o que vemos nas escolas é uma cultura anti-intelectual e consumista, mergulhada em infantilidades e alheia à realidade adulta”, afirma Mark Bauerlein, autor de The dumbest generation (A geração mais estúpida). No livro, ele antecipa uma nova Idade das Trevas, quando os indivíduos que hoje são crianças e adolescentes chegarem à maturidade.
Bauerlein, professor na Universidade Emory, na Geórgia, supervisiona estudos sobre a vida cultural americana. Ele acredita que as novas gerações, educadas sob a influência das mídias digitais, são formadas por narcisistas despreparados para pensar em profundidade sobre qualquer assunto. Ele diz que uma pesquisa de 2006 com mais de 81 mil estudantes americanos de ensino médio detectou que 90% deles “leem ou estudam” menos de cinco horas por semana – embora passem “pelo menos” seis horas navegando na internet e um período equivalente assistindo à TV ou jogando videogame. “Indivíduos que não sabem praticamente nada de história, que nunca leram um livro nem visitaram um museu não têm mais do que se envergonhar. Tornaram-se comuns”, afirma.
Carr e Bauerlein não estão sozinhos. A jornalista Maggie Jackson, outra autora crítica da tecnologia, sugere que os mais jovens estão acostumados, por culpa da internet e do uso de celulares, à leitura desatenta de textos cada dia mais breves e estilisticamente mais pobres. Os 140 caracteres que se podem escrever no Twitter, ela acredita, geram pensamentos máximos de 140 caracteres. Parece exagero, mas alguns estudos mostram que há motivos para preocupação. Uma consultoria chamada Genera divulgou um estudo alarmante sobre os efeitos do uso da internet entre os jovens. A empresa entrevistou 6 mil pessoas da geração que cresceu usando a internet e concluiu que as coisas estão mudando radicalmente. “A imersão digital afetou até mesmo a forma como eles absorvem informação”, afirmam os pesquisadores. “Eles não leem uma página necessariamente da esquerda para a direita e de cima para baixo. Pulam de uma palavra para outra, atrás de informação pertinente.” Um efeito disso já foi notado por um professor da Universidade Duke. Ele reclamou com o autor de The shallows que não consegue mais que seus alunos leiam um único livro do começo ao fim, mesmo nos cursos de literatura.

Se as críticas ao uso dos computadodores partissem apenas de intelectuais preocupados com a ruptura de padrões tradicionais, não haveria problemas. Professores se queixando da preguiça de seus alunos era comum nos séculos XX e XIX e, certamente, antes disso. Esse tipo de evidência circunstancial pode ser facilmente contestado por exemplos contrários, que existem abundantemente, mostrando que há milhões de jovens concentrados que leem e estudam com afinco. Mas os críticos vão além das velhas reclamações. Experimentos como o do professor de comunicação Clifford Nass, da Universidade Stanford, são mais difíceis de rechaçar. Eles sugerem que pessoas acostumadas ao funcionamento multitarefa do computador – que permite fazer várias coisas ao mesmo tempo – tendem a imitar a máquina, tocando várias atividades ao mesmo tempo. Escrevem, falam ao telefone, consultam a internet, ouvem música. Tudo simultaneamente, ou quase. As consequências são perversas. Elas erram, ficam irritadas por quase nada e qualquer estímulo as distrai. O estudo mostra que, quanto mais a pessoa se julga eficiente fazendo várias coisas ao mesmo tempo, pior ela as faz. E, quando é necessário que se concentrem numa única atividade por longo tempo, elas precisam de muito mais esforço.
A Associação Americana de Psicologia define multitarefa como “a tendência a fazer mais de um trabalho que precise de atenção ao mesmo tempo, como falar ao telefone e escrever uma mensagem eletrônica”. Ela diz que esse hábito promovido pelas novas tecnologias tornou-se um problema. Sério. O motivo é simples: nossa capacidade de atenção é limitada. Quanto mais ela é fracionada, menos funciona. É um problema que tem origem na evolução da espécie. Fazemos bem uma coisa de cada vez e, mesmo assim, com grau limitado de concentração. Apesar disso, estamos nos dividindo cada vez mais. Entre 2008 e 2009, um estudo da Basex, uma companhia americana especializada em consultoria para grandes empresas, concluiu que um trabalhador médio passa mais de um quarto de sua jornada diária lidando com distrações do mundo real (ligações de telefone, conversas com colegas) e virtuais (e-mails, chats). Outro estudo, de RescueTime, revelou que, em média, um funcionário que usa o computador o tempo todo acessa 50 vezes por dia a caixa de e-mails, 77 vezes programas de comunicação instantânea (MSN ou Google Talk) e 40 vezes as páginas da internet. O custo em atenção e produtividade é imenso. Os pesquisadores dizem que, cada vez que interrompemos uma tarefa, ao voltar a ela podemos demorar mais de dez vezes o tempo da interrupção para retomar a atenção inicial.
 

- (Foto: Reprodução)


O gaúcho Gérson Worobiej, de 42 anos, analista de custos em Porto Alegre, sabe o que isso significa. Ele diz que a desorganização de sua mesa migrou do papel para a tela. Gastava longos minutos para achar um arquivo perdido na caixa de e-mails – e, enquanto o computador buscava, aproveitava para ler coisas na internet. Quando se dava conta, os minutos já tinham virado hora, e ele estava atrasado. Para tentar dar conta das tarefas, abria um grande número de janelas. Geralmente, tinha a sua frente a tela do e-mail, três planilhas diferentes e ainda o navegador, para os momentos em que queria espairecer. Quanto mais fazia, menos produtivo ficava. O antídoto para o problema de Gérson começou a vir do próprio computador. Ele usou a internet para pesquisar programas que pudessem ajudá-lo a se organizar. E encontrou. Hoje, a primeira coisa que faz no dia é planejar tudo, dentro do programa de gerenciamento de tempo. Fica menos ligado no e-mail porque desligou o alerta automático de mensagens e passou a controlar seus acessos à internet. Também reduziu o número de janelas e tenta fazer uma coisa de cada vez. “Hoje, sou mais produtivo e trabalho menos”, afirma.
Existe o temor, entre os pesquisadores, de que a insistência em comportamentos digitais obsessivos possa causar danos ou alterações neurológicos. Num estudo publicado pela revista eletrônica PlusONE, em junho deste ano, cientistas chineses analisaram a atividade cerebral de 18 adolescentes que passavam mais de dez horas por dia jogando na internet. Eles descobriram que regiões cerebrais encarregadas do autocontrole e da capacidade de concentração numa única tarefa e de evitar distrações apresentavam um tamanho menor que a média. Os jovens mostravam também desempenho pior de memória. O professor Karl Friston, do University College London, diz, porém, que os resultados da pesquisa chinesa não são conclusivos, por dois motivos. Primeiro, porque os jovens estudados são viciados que fogem ao padrão de uso geral da tecnologia. Segundo, porque a pequena quantidade de participantes não permite extrapolar os resultados para a população em geral. Outras pesquisas, porém, estão detectando que quem usa demais a tecnologia sofre limitações em relação aos demais.
Depois de colocar 100 estudantes para realizar um monte de testes, Nass, de Stanford, concluiu que os usuários mais intensos de tecnologia pagam um preço elevado por seus hábitos. “Eles são atraídos por irrelevâncias”, diz o pesquisador. “Qualquer coisa os distrai.” Nos testes de atenção, em que se mede a capacidade de separar e filtrar informação, os tipos multitarefa se deram muito pior do que quem usa tecnologia com moderação. No teste seguinte, de memória, eles também tiveram desempenho relativamente pobre. Quanto mais elementos para memorizar, mais eles se afundavam. Surpresos, os cientistas desenvolveram um terceiro teste, para descobrir se os nerds eram bons pelo menos em saltar rapidamente de uma atividade para outra. Nem nisso eles se mostraram melhores. “Eles não conseguiam se desligar da tarefa que estavam executando pouco antes”, afirma o professor Eyal Ophir, que conduziu os experimentos. “Os multitarefas não conseguem manter as coisas separadas no interior da mente.”
No cérebro dos jovens viciados em jogos, a área responsável pela concentração é menor que a média
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A explicação para isso, segundo os críticos da tecnologia, está no conceito de neuroplasticidade – uma palavra difícil que significa, essencialmente, a capacidade dos neurônios de criar novas conexões ou de reforçar as já existentes, em resposta às experiências do dia a dia. Alguns cientistas temem que, por meio da neuroplasticidade, a arquitetura do cérebro dos usuários de tecnologia seja irremediavelmente alterada. A verdade parece ser menos alarmante. Um exemplo é o resultado de um estudo que comparou o comportamento de três pessoas não acostumadas a usar a internet (chamadas “imigrantes digitais”) com o de três indivíduos que tinham crescido entre computadores (os “nativos digitais”). Os pesquisadores pediram aos dois grupos que fizessem uma busca no Google e navegassem pelos resultados enquanto a atividade de seus cérebros era monitorada. O resultado mostrou que os nativos digitais completavam com mais rapidez a tarefa encomendada pelo pesquisador. Ficou claro também que uma área do cérebro relacionada ao planejamento de atividades conscientes se ativava com maior intensidade no cérebro dos nativos digitais. Até aí, nada demais. A novidade é que, depois de cinco dias, o cérebro dos imigrantes começou a se comportar de forma parecida com o dos nativos digitais. A neuroplasticidade tinha entrado em ação.
Apresentado pelos críticos da tecnologia como surpreendente – e até mesmo assustador –, o resultado desse experimento é, na verdade, trivial. Quem aprendeu a dirigir sabe como é. Nos primeiros dias ao volante, tudo parece novo e difícil. Depois, o ato torna-se mecânico. Os cálculos de tempo e distância que pareciam antinaturais são internalizados. O cérebro cria novas conexões entre os neurônios e muda em função do aprendizado. As pessoas dizem que aprenderam, não que seu cérebro foi alterado. Mas a verdade é que o cérebro mudou. Que ele seja modificado pela tecnologia não constitui, portanto, motivo de alarme. Ele se modifica o tempo todo, em resposta a quase tudo.
Há outros motivos para não se preocupar em demasia com as transformações do cérebro. Em primeiro lugar, porque elas parecem ser reversíveis. Do mesmo jeito que os neurônios criam conexões novas o tempo todo, essas conexões podem também se enfraquecer pela falta de uso. Alguém que mude os hábitos de uso de tecnologia pode voltar a ter um cérebro “normal” – como explica o neurocientista português António Damásio, um dos maiores especialistas mundiais no assunto. “Para conseguir processar, analisar e responder à grande quantidade de informações do mundo virtual, o cérebro precisa se adaptar a seu tempo acelerado”, afirma Damásio (leia seu artigo exclusivo na página 80). Ele dá conta do recado por ser plástico e adaptável às novas condições, ainda que cobre um preço na redução da capacidade de concentração. “Mas a dificuldade de concentração não é irreversível. Acreditar nisso é bobagem. Qualquer criança e adolescente com um nível de inteligência normal é capaz de aprender a se concentrar e desenvolver os mesmos padrões de atenção e reflexão das gerações de seus pais e avós”, diz Damásio.
Embora esteja claro que a neuroplasticidade é uma via de mão dupla – ela modifica o cérebro, mas permite que ele seja modificado de volta –, ainda há confusão sobre o que realmente é possível alterar no cérebro humano pelo uso da tecnologia. O psicólogo Steven Pinker, autor de livros fundamentais sobre o funcionamento da mente humana, insiste que o cérebro não é uma massa de argila inteiramente moldável. “A experiência não redesenha nossas capacidades básicas de processamento de informação”, diz Pinker. As pessoas podem se educar para ler mais rápido na internet, mas os resultados serão limitados pela estrutura do cérebro e dos neurônios. Chega um ponto em que as mudanças cessam, por mais impulsos que venham do mundo exterior – da tecnologia ou de qualquer outra área.
MENOS É MAIS O analista de custos Gérson Worobiej, de Porto Alegre, no computador do trabalho. Ele fazia tudo ao mesmo tempo com baixa produtividade (Foto: Ricardo Jaeger/ÉPOCA)

A professora Andréa Jotta, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicologia em Informática da PUC de São Paulo, duvida até mesmo que haja mudanças reais na cognição humana por causa dos computadores. “As pessoas não perderam a capacidade de se concentrar. O que vemos aqui é um excesso de foco no mundo digital”, diz ela. Há quem entre tão fundo no mundo virtual que se esquece do real a sua volta. Em um dos casos estudados por ela, o paciente via pornografia na baia de trabalho, alheio ao fato de estar em um lugar público. Em outros, as pessoas deixavam de dormir ou ir ao banheiro para não largar um jogo. “A concentração parece estar ali, mas o foco está voltado para outras coisas”, afirma.
Ainda que a internet cobre um preço de seus usuários, como afirma o neurocientista Damásio, as críticas a seu uso ignoram um efeito positivo de sua disseminação: a conexão intelectual de milhões de pessoas que, de outra forma, não seria possível. Ela tem potencial de mexer com a inteligência do planeta inteiro. As redes sociais às quais nos integramos – reais ou virtuais – exercem uma influência considerável sobre nosso desenvolvimento individual. Como sabem os pedagogos, um ambiente estimulante aumenta a possibilidade de que a inteligência se desenvolva. Muitas das grandes ideias não nasceram de mentes privilegiadas trabalhando em laboratórios silenciosos. Nas palavras de Steven Johnson, autor de De onde vêm as boas ideias, elas “emergem de espaços de conexões, da colisão entre diferentes visões, sensibilidades e especializações”. Não é por acidente que a maior parte da inovação científica e tecnológica do último milênio tenha sido produzida em centros urbanos abarrotados e cheios de distrações. Em outras palavras, a inteligência parece ser contagiosa. No século XXI, a internet pode ser o vetor de contágio.
Os neurologistas dizem que a perda de concentração causada pela internet não é irreversível "
Há até um grupo que defende uma ideia à primeira vista delirante: a conexão de bilhões de pessoas à internet permitirá a emergência, no futuro, de uma espécie de inteligência em rede, capaz de transcender o potencial de cada um de seus nós. O jornalista e escritor Kevin Kelly, um dos fundadores da futurista revista Wired, acredita que a tecnologia segue as regras da evolução natural e evolui em simbiose com o ser humano. No futuro, ele enxerga uma fusão total do ser humano com as máquinas, até que uns sejam indistintos dos outros. Kelly chama o aglomerado de tecnologias físicas (ferramentas) e conceituais (ideias) de “Technium”. Não é preciso partilhar essa visão fantasiosa para entender o lado positivo da conexão humana por meio da internet.
O biólogo Hebert Bruno Campos, de Campina Grande, na Paraíba, é um óbvio beneficiário dessas conexões. Aos 28 anos, ele mora com os pais e dois irmãos. A proximidade da Chapada do Araripe, um dos mais ricos sítios de fósseis do país, fez com que Hebert, desde os 7 anos, tivesse certeza do que seria quando crescesse: paleontólogo. Sonhar era fácil. Realizar o sonho, difícil. Ainda mais vivendo tão longe dos grandes centros do Sul e do Sudeste. Mais complicado ainda quando se sabe que Hebert é superdotado e tem grande dificuldade de estabelecer relacionamentos sociais. “Descobri a internet aos 14 anos. Minhas primeiras amizades foram feitas via internet”, diz ele. “Minha adolescência foi vivida na frente do computador.” Agora, Hebert se prepara para ingressar no mestrado em paleontologia. Graças à internet, conseguiu fazer amigos que o visitam em casa. Mas há um preço. Ele admite que a ultraexposição à internet – que o ensinou a fazer várias coisas ao mesmo tempo – também ajudou a torná-lo ansioso e dispersivo. “As ferramentas digitais me tiraram do isolamento e me conectaram com o mundo. Permitiram que eu conhecesse paleontólogos brasileiros e estrangeiros”, diz ele. “Mas, quando preciso estudar ou ler um livro, calculo o tempo que terei de ficar desplugado da internet. Basta ler uma página para que eu perca a concentração e comece a pensar nas mensagens que devo ter recebido e terei de responder.” Hoje, ele tenta estabelecer alguma distância dos meios digitais. Entre a tela do notebook e o teclado do smartphone, ainda passa oito horas por dia plugado. “Estou tentando balancear minhas duas vidas, a real e a on-line. Perco de um lado, mas ganho de outro”, afirma.
- (Foto: Reprodução)

 
As evidências do benefício da conexão propiciada pela rede estão por toda parte. Os maiores centros de inovação, como o Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, surgem da enorme concentração de gente brilhante, bem-educada e hiperconectada. As empresas que quebram padrões são as que conseguem juntar grupos de profissionais notáveis sob um mesmo teto. De alguma forma, as relações que tais indivíduos criam – dentro das empresas ou mesmo no ciberespaço – elevam as capacidades cognitivas de todos eles. A teoria da evolução das espécies, que o filósofo Daniel Dennett chamou de “a maior ideia científica de todos os tempos”, não foi produto apenas dos 20 anos que Charles Darwin passou mergulhado nos estudos práticos e teóricos da natureza. Beneficiou-se também da impressionante troca de cartas que ele mantinha com colegas e amigos de porte intelectual equivalente. Darwin parece ter escrito mais de 15 mil cartas ao longo da vida, discutindo suas ideias e seus sentimentos. Se ele tivesse nascido no século XX, teria sido usuário ativo de e-mail e redes sociais.
Se a exposição constante a telas de televisão, computadores e celulares fosse capaz de emburrecer seus usuários, seria razoável uma queda planetária no quociente intelectual (Q.I.) nos últimos dez, 20 ou 30 anos. Mas aconteceu o contrário. Depois de 60 anos de TV e de mais de duas décadas de uso cotidiano da internet, o Q.I. não para de crescer. Se um adolescente médio de hoje viajasse para o passado e fizesse o teste de Q.I. em 1950, conseguiria um resultado de 120, considerado elevado. Segundo cálculos de Pinker, um cidadão comum de hoje tem Q.I. maior do que 98% das pessoas em 1910. Se um cidadão de 1910 fizesse o teste hoje, seu Q.I. medido pelos padrões atuais seria 70 – tão baixo que estaria próximo do retardamento. É verdade, porém, que o Q.I. mede um tipo específico de inteligência (lógico-racional) e não pode ser usado, sozinho, para avaliar se a humanidade está emburrecendo ou não.
De todo modo, os apocalípticos da catástrofe digital tampouco explicam outro fenômeno que desafia seu pessimismo: por que as sociedades mais interconectadas do mundo são também as que apresentam melhores índices de desempenho na educação? Países como Dinamarca, Finlândia, Austrália e Coreia do Sul estão entre os dez mais conectados do planeta – assim como entre os dez primeiros no ranking de qualidade escolar da ONU. Parece que a banda larga ajuda no desenvolvimento intelectual dos jovens – ou, pelo menos, seus efeitos nocivos podem ser combatidos por bons professores e uma educação sólida.
A desconfiança em relação às inovações é uma constante humana. Sempre recebemos as novas tecnologias com um misto de esperança e receio. Há 2.400 anos, o pensador grego Sócrates temia que a escrita acabasse com a memória das pessoas. Ele previu que a possibilidade de registrar pensamentos por meio de símbolos sobre uma tábua de cera levaria a um enfraquecimento da mente e do raciocínio. O surgimento da imprensa de Gutemberg, na Europa da Idade Moderna, provocou uma reação parecida em alguns elitistas. Eles achavam que a difusão maciça de livros provocaria a banalização da cultura. Aconteceu o oposto. Em retrospecto, pode-se dizer que a difusão de conhecimento é invariavelmente um fenômeno positivo. Com a internet, é evidente que a humanidade ganhou nesse quesito. A dúvida diz respeito àquilo que perdemos. Algo que um dia poderá parecer tão ridículo quanto as palavras de Sócrates sobre a escrita – ou tão essencial quanto o resto de suas ideias.  

Por que não podemos ser mais inteligentes do que somos?

Por que não podemos ser mais inteligentes do que somos

Cientistas descobriram que melhorar em memória, atenção ou raciocínio pode piorar o desempenho em outras funções cognitivas

REDAÇÃO ÉPOCA

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Modelo mostra impulso nervoso no cérebro (Foto: ShutterStock)
A inteligência sempre foi uma característica essencial para a sobrevivência e a evolução dos seres humanos. Nossa capacidade de resolver problemas complexos, trabalhar de forma cooperativa e entender a passagem do tempo estão por trás do nosso sucesso de nossa espécie.
Mas se a inteligência é assim tão fundamental para a sobrevivência da espécie, por que não somos ainda mais inteligentes – ou seja, mais adaptados aos desafios representados pelo mundo – do que somos?
Pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, descobriram que a equação não é assim tão simples. Eles concluíram que melhorias em funções cognitivas como a memória, a atenção e o raciocínio trariam uma piora do desempenho de outras. Para os cientistas, a ideia de um super-cérebro só seria possível na ficção científica.
Para chegar a essa conclusão, o psicólogo Thomas Hills, de Warwick, e Ralph Hertwig, da Universidade de Basel, analisaram estudos de vários tipos, entre eles pesquisas sobre a mente dos autistas e sobre os efeitos de remédios como a Ritalina, que aumentam a atenção.

  • Eles descobriram que, em geral, indivíduos com habilidades cognitivas muito elevadas – como pessoas que têm uma memória fotográfica, muito acima do normal – geralmente têm também algum tipo de transtorno, como autismo e problemas neurológicos associados ao crescimento cerebral.  E mesmo os remédios que melhoram a atenção podem ter um efeito negativo: para quem não tem problema de foco e se medica na esperança de melhorar o desempenho nas tarefas cotidianas, o resultado pode ser exatamente o oposto.
Segundo Hills, o estudo sugere que há um limite para melhorar as funções cognitivas. Um exemplo simples é o uso de cafeína para aumentar a atenção. A pessoa pode até ficar mais alerta, mas seu nível de ansiedade pode aumentar e sua coordenação motora fina pode piorar. 
A mensagem é que não dá para ter tudo ao mesmo tempo. Ir além em uma habilidade é, necessariamente, deixar outras para trás.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Bebê de duas cabeças nasce no Pará

Médica diz que é cedo para falar do destino do bebê de duas cabeças

DIÁRIO ONLINE, DO PARÁ
Foto: Diário Online/J.R. Avelar
Bebê com duas cabeças chegou a Belém na tarde de ontem
Bebê com duas cabeças chegou a Belém na tarde de ontem
Durante entrevista coletiva no final da tarde de ontem (20), a médica obstetra Neila Dahás, da Santa Casa de Misericórdia, responsável pelo caso do bebê de duas cabeças, falou sobre o quadro clínico do recém nascido.
A médica explicou que ainda estão fazendo exames no bebê para saber quais riscos corre, mas afirmou que trata-se de dois bebês no corpo de um. A criança tem duas colunas vertebrais e cérebros diferentes, porém só um coração. "Acreditamos que se trata de um caso de gêmeos idênticos, mas que tiveram algum problema na divisão celular e por isso se desenvolveram parcialmente e em um mesmo corpo", explicou Dahás.
Ainda segundo a médica, uma das cabeças está ficando cianótica, começando a perder os sinais vitais e ficando roxa. Como ainda não se sabe ao certo a ligação entre os dois bebês, a médica afirmou que é cedo para prever o que poderá acontecer. A possibilidade de cirurgia, porém, foi descartada pela equipe médica da Santa Casa, mesmo admitindo o risco de uma das crianças ter morte cerebral.
O bebê de duas cabeças nasceu na madrugada de anteontem (19), no município de Anajás, no Marajó, chegou a Belém no início da tarde de ontem (20) e está sob os cuidados de pediatras da UTI Neonatal da Santa casa de Misericórdia do Pará. 
Segundo o médico obstetra José Brasil, que fez o parto, a mãe da criança fez o pré-natal, mas não se submeteu a exames de ultrassonografia durante a gestação. Ela tem 23 anos e mora no interior do Baixo Anajás, localidade do Timbó.
Mãe de três filhos, ela chegou ao Hospital Municipal no início da noite do dia 18 e, após alguns procedimentos, optou pela cirurgia de cesariana. “Caso não fosse feito este procedimento certamente a criança nasceria morta”, afirma o médico.
Segundo caso
Nesse ano, esse é o segundo caso registrado no Brasil. O primeiro aconteceu na zona rural de Ingá, em um sitio da Serra Verde, em Campina, na Paraíba. Uma mulher de 27 anos deu à luz uma criança com duas cabeças. O bebê, contudo, morreu horas depois do parto por falta de oxigênio em uma das cabeças. (DOL, com informações do Diário do Pará

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Resfriado


RESFRIADO
O QUE É?
É uma infecção simples do trato respiratório superior - acomete o nariz e a garganta, durando de poucos dias a poucas semanas (usualmente, menos de duas semanas). Neste tipo de infecção ocorre uma grande destruição do revestimento interno das vias respiratórias pelo vírus. As defesas do organismo do indivíduo afetado reagem, causando mais inflamação. Isso pode fazer com que bactérias que estejam nas vias respiratórias se aproveitem da situação, produzindo muco (catarro) purulento que pode ser expelido pelo nariz ou pela boca. Isto explica porque, em alguns casos, um simples resfriado por vírus pode levar uma pessoa a desenvolver uma pneumonia por bactérias.
O resfriado termina quando o revestimento interno lesado se regenera e, então, a infecção está resolvida.
Cinco famílias diferentes de vírus podem causar os resfriados. O vírus mais frequentemente envolvido é o rinovírus. Devido a grande variedade de vírus, não existem ainda vacinas para proteger as pessoas destas viroses.
Os resfriados são frequentes e estão entre as principais causas de falta ao trabalho. Os adultos, em média, têm de dois a quatro resfriados ao ano, e as crianças (especialmente os pré-escolares) de cinco a nove. Estas infecções são ainda mais frequentes nas creches. Apesar dos resfriados não terem tratamento específico, eles são auto-limitados. Independentemente de usar medicações ou não, dentro de poucos dias as pessoas melhoram. Após três a quatro dias, o resfriado deve melhorar, embora alguns sintomas possam persistir até duas semanas. Caso dure mais que isso, é importante a realização de uma consulta médica para investigar a possibilidade de que uma infecção bacteriana possa ter surgido após o resfriado – pneumonia, laringite (inflamação das cordas vocais), sinusite ou otite.
COMO SE ADQUIRE?
Para uma pessoa pegar um resfriado, é necessário que o vírus entre em contato com o revestimento interno do nariz. As viroses que chegam até os olhos ou boca também podem se estender até o nariz. Em alguns casos, a pessoa pode infectar-se pelo vírus através de outra. Uma pessoa resfriada, ao espirrar, espalha gotículas no ar com muco e vírus. Uma segunda pessoa, ao respirar este ar contaminado, faz com que o vírus entre em contato com o nariz e acaba desenvolvendo a doença. Contudo, a via mais comum de transmissão destas viroses é pelo contato direto. Por exemplo: uma criança resfriada toca no seu rosto, espalhando um pouco de muco (catarro) e partículas de vírus pelos seus dedos. Ao dar a mão à sua mãe, transfere vírus para sua pele. A mãe, ao tocar no seu próprio rosto, com a mão contaminada, pega o resfriado. Esta mesma transferência de vírus pode ocorrer através de objetos. Uma pessoa resfriada que coloca a mão no nariz e depois num copo, transfere os vírus para o copo. Outra pessoa, ao utilizar o copo, leva os vírus para a sua mão e, levando até seu rosto, adquire o resfriado.
Não existem evidências de que o resfriamento do corpo possa levar uma pessoa a desenvolver um resfriado. Contudo, o estresse emocional, a fadiga e outros fatores que diminuem os mecanismos de defesa (imunidade) do organismo podem facilitar o surgimento da doença.
O QUE SE SENTE?
Normalmente, os sintomas surgem de 1 a 3 dias após a pessoa entrar em contato com o vírus, e podem durar até uma semana, na maioria dos casos. Dentre os sintomas, destacamos: 
 
Nariz com secreção (coriza) intensa – como água nos primeiros dias. Mais adiante, pode tornar-se espessa e amarelada;
Obstrução do nariz dificultando a respiração, espirros, tosse e garganta inflamada (dolorosa);
Diminuição do olfato e da gustação;
Voz “anasalada” (voz da pessoa que está com o nariz entupido);
Rouquidão;
Adultos podem ter febre baixa, enquanto as crianças podem ter febre alta;
Dores pelo corpo;
Dor de cabeça;
Febre (pode ocorrer em crianças). Incomum em adultos.
COMO O MÉDICO FAZ O DIAGNÓSTICO?
O diagnóstico médico é feito através da conversa deste com seu paciente, associado ao exame do paciente. Não são necessários exames complementares – exceto naqueles casos em que paira alguma dúvida em relação ao diagnóstico. Neste caso, exames de sangue, exames de imagem, como a radiografia, e exames para pesquisa de germes na secreção nasal, por exemplo, poderão ser utilizados. Exames para detecção dos vírus causadores do resfriado também podem ser feitos.
Devemos lembrar que resfriado não é gripe. A gripe é uma infecção respiratória mais séria causada pelo vírus influenza.
COMO SE TRATA?
Não há tratamento para o combate do vírus causador da doença.
A orientação dada pelo médico visa atenuar os sintomas da doença e dar condições adequadas para que o organismo da pessoa afetada logo se recupere.
Para isso, é importante que a pessoa tome bastante líquido, como água e sucos, uma vez que a boa hidratação previne o ressecamento do nariz e da garganta, facilitando a eliminação das secreções contaminadas. Gargarejos com água morna e salgada várias vezes por dia ou tomar água morna com limão e mel pode ajudar a diminuir a irritação da garganta e aliviar a tosse.
Para ajudar no alívio dos sintomas do nariz, pode-se usar gotas salinas nasais. O fumo pode piorar a irritação da garganta e a tosse.
Para ajudar no alívio dos sintomas do nariz, pode-se usar spray nasal de oximetazolina (ou similar) em adultos ou gotas salinas nasais para adultos ou crianças. O fumo pode piorar a irritação da garganta e a tosse. Dentre os medicamentos para aliviar os sintomas, utiliza-se o acetaminofen ou algum antiinflamatório, como o ibuprofeno, que podem aliviar a dor. Devemos lembrar que o uso de antiinflamatórios para pacientes asmáticos ou com doenças como gastrite ou úlcera péptica deve ser desencorajado. Já para a congestão ou corrimento do nariz e para a tosse, existem medicamentos combinados que funcionam muito bem. Bebidas quentes (como sopas) e alimentos temperados podem ajudar a aliviar a irritação na garganta ou a tosse. Dentro da medicina alternativa, o mentol também é utilizado para dar uma sensação de alívio da congestão do nariz. Também o zinco pode ser utilizado com o intuito de encurtar o tempo de doença. Os homeopatas também podem fazer uso de outras substâncias para ajudar no controle dos sintomas da doença.
COMO SE PREVINE?
Como muitos vírus diferentes podem causar resfriados, ainda não se desenvolveram vacinas eficazes.
É quase impossível não pegar um resfriado. Mas existem algumas atitudes que podem diminuir este risco. Dentre estes cuidados, estão: 
 
Lavar freqüentemente as mãos e ensinar para as crianças a sua importância;
Se possível, evitar contatos íntimos com pessoas resfriadas;
Sempre lavar as mãos após contato com a pele de pessoas resfriadas ou com objetos tocados por estes;
Manter seus dedos longe dos seus olhos e nariz;
Não compartilhar mesmo copo com outras pessoas;
Manter limpos a cozinha e o banheiro, especialmente quando alguma pessoa da casa está resfriada.
Para que a doença não se dissemine é importante que a pessoa resfriada: 
 
Cubra o nariz e a boca com um lenço ao tossir ou espirrar;
Lave suas mãos após tossir ou espirrar;
Se possível, ficar longe de outras pessoas nos primeiros três dias da doença, quando o contágio é maior.
Verdades e mentiras em relação ao resfriado: 
 
Grandes doses de vitamina C não previnem nem curam resfriados. Contudo, podem ajudar
O uso de casacões no frio ajuda a prevenir o aparecimento de pneumonias, mas não gripes ou resfriados;
Trabalhar ou ir à escola resfriado provavelmente não prolonga a doença, mas certamente coloca outras pessoas em risco;
Uma canja quente é uma boa fonte de líquidos no tratamento, mas não tem efeitos curativos.
O alho pode ajudar na prevenção desta doença.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

AIDS - Síndrome da imunodeficiência adquirida



O que é HIV e AIDS?

HIV é a abreviação usada para o vírus humano da imunodeficiência. HIV é o vírus que causa AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida), uma doença mortal.

HIV ataca o sistema imunológico do corpo. Normalmente, o sistema imunológico produz células de sangue e anticorpos que atacam vírus e bactérias. As células que atacam a infecção são chamadas linfócitos T. Meses ou anos após a pessoa ser infectada com HIV, o vírus destrói os linfócitos T.

Quando as células T são destruídas, o sistema imunológico não pode defender por muito tempo o corpo contra doenças e tumores. Várias infecções chamadas de infecções oportunistas se desenvolvem. Elas são chamadas desta maneira porque tiram proveito do da fraqueza do sistema imunológico. Estas infecções normalmente não causariam problemas graves ou fatais.

No entanto, devido à AIDS, estas infecções eventualmente causam a morte porque o corpo não consegue defender-se, e acaba por ser atacado por infecções oportunistas e/ou por tumores.

Como isto ocorre?

O vírus da AIDS não se espalha pelo ar, pela comida, ou por contato social casual como um aperto de mão ou abraço. É transmitido somente por contato direto e/ou troca de sangue ou fluidos corporais de uma pessoa infectada com os de outra pessoa. Esta mistura pode ocorrer:

- durante atividade sexual sem proteção
- ao dividir agulhas
- através de mãe infectada com HIV
- transfusão de sangue

Os seguintes grupos tem um alto risco de infecção do HIV e possivelmente podem desenvolver AIDS:

- homens homossexuais ativos
- homens bissexuais e seus parceiros
- usuários de drogas intravenosas e seus parceiros sexuais
- pessoas que dividem agulhas(para uso de drogas, tatuagens, ou aplicação de piercing)
- heterossexuais com mais de um parceiro sexual
- pessoas que receberam transfusões de sangue ou produtos de sangue, especialmente aqueles que receberam transfusões de emergência de sangue não examinado e pessoas que receberam transfusões em países onde o sangue não é rigorosamente examinado.
- pessoas que tem relação sexual com imigrantes de áreas com muitos casos de AIDS (como Haiti e África Central)
- pessoas que tiveram relações com parceiros infectados com HIV
- bebês que nasceram de mães infectadas com HIV

Quais são os sintomas?

Os sintomas da infecção por HIV (AIDS) são normalmente sintomas de doenças que atacam o corpo por causa do enfraquecimento do sistema imunológico:

- febre que dura de dias a um mês, sem nenhuma outra doença presente e sem outra causa aparente
- períodos prolongados de calafrios e suores
- fadiga crônica e interminável
- perda de peso e apetite, especialmente perda de mais de 10% do peso corporal, sem nenhuma doença ou condição presente
- dor crônica dos músculos e juntas sem nenhuma razão
- dor de garganta persistente sem explicação
- inchaço dos nódulos linfáticos prolongado e sem explicação
- diarréia, especialmente se durar mais que um mês e sem nenhuma outra doença presente
- infecções reincidentes, graves de fermentação na boca ou vagina mesmo com tratamento apropriado
- herpes que duram mais que 4 semanas

As doenças oportunistas que mais freqüentemente atacam alguém com AIDS incluem SARCOMA, pneumonia, tuberculose, meningite, e herpes.

Como é diagnosticado?

O teste ELISA é o primeiro exame de sangue feito para verificar se a pessoa está infectada com HIV. Se este teste der positivo, outro teste mais específico, normalmente teste WESTERN BLOT, é feito para confirmar os resultados.

Uma vez confirmado os resultados dos exames HIV, você deve passar por um exame médico no qual será questionado sobre seu passado médico e sintomas, caso haja.

O médico fará exame físico completo e procurará saber seus hábitos sexuais, padrões de comportamento, como uso de drogas injetáveis, transfusões sangüíneas, ou se possui histórico de doenças sexualmente transmissíveis.

Os resultados dos exames físicos e laboratoriais darão a seu médico a linha base de comparação para saber se desenvolverá sintomas mais tarde. Também é necessário proteger-se de certas infecções, como a tuberculose (TB), sífilis e hepatite B, que podem fazer com que piore rapidamente ou camufle um sério risco para os outros. Mulheres HIV positivo devem fazer um exame de Papa Nicolau (Pap Smear) de acordo com o cronograma recomendado por seu médico (normalmente a cada 6 a 12 meses).

Como proceder o tratamento?

Seu tratamento inclui:

- Testes laboratoriais para verificar o funcionamento do sistema imunológico, a quantidade de HIV presente no sangue e para constatar a provável presença de infecções ou outros problemas médicos.
- Tratamento antiviral, como as drogas zivodine (também chamado ZDV ou AZT), didanosine (ddi),lamivudine(3 TC), e nunca inibidores protease.
- Exames dentários regulares por que pessoas que são HIV positivo tem um alto índice de anormalidade bucal, incluindo doença da gengiva.
- Tratamentos preventivos para doenças como:
- Pneumocystis carinil pneumonia (PCP)
- tuberculose
- toxaplasmose(evite carne crua e caixas de areia de gatos)
- tétano
- hepatite B
- pneumococcus
- resfriados
- tratamentos para infecções oportunistas e tumores a medida que se desenvolvem.

A contagem do linfócito CD4 é um teste laboratorial muito importante. As células CD4 são do tipo glóbulos brancos. Eles são os melhores indicadores de como está funcionando o sistema imunológico da pessoa HIV positivo. Se a primeira contagem das células CD4 é maior que 60 por microlitro de sangue, o teste deve ser repetido a cada 6 meses.

O teste de carga viral mede a quantidade de HIV no seu sangue. Níveis acima de 10.000 viral copies por mililitro de sangue são considerados alto e normalmente requerem tratamento imediato.

A contagem CD4 e o teste de carga viral são os critérios mais comuns para decidir quando começar o tratamento com as drogas anti-vírus e anti-pneumonia Zivodine 9AZT0 que é prescrito quando a contagem do CD4 cai abaixo de 500 ou a carga viral é maior que 10.000. AZT é ainda a droga mais administrada na maioria dos casos. Seu médico pode prescrever didanosine(ddi) ou dideoxycytidine (ddc). Também é comum começar o tratamento com duas ou mais drogas, como AZT e lamivudine (3TC).

Drogas como AZT, ddi, e os novos inibidores de protease são muitas vezes prescritos para pessoas em ambos estágios (inicial ou avançado) da infecção HIV pois podem retardar o começo da doença, embora não promova a cura. Muitas outras drogas e combinações de drogas têm sido prescritas ou investigadas.

O tratamento com drogas para prevenir Pneumocystis carinil deve ser iniciado quando a contagem do CD4 é menor que 200. Pode ser iniciado antes, se tiver histórico de PCP anterior.

Problema de visão são muitas vezes indicadores de infecção oportunistas em indivíduos HIV positivo. Diga ao médico imediatamente se apresentar sintomas tais como visão embaralhada ou perda parcial da visão.

Procure fazer o tratamento em clínica que utilize a concepção gerencial no cuidado dos casos. Esta aproximação enfatiza o cuidado de equipe coordenado por um gerente de casos. O gerente ajuda na comunicação com todos que estão envolvidos no tratamento. Outras vantagens incluem:

- Cuidado médico atualizado será disponibilizado.
- Tratamento de ambos aspectos: médico e social.
- Ajuda de recursos locais (médico, social, financeiro).

Em quanto tempo aparecerão os primeiros efeitos?

Os efeitos completos da AIDS podem não aparecer em 5 ou 10 anos após ter sido infectado com o vírus. AIDS é uma doença fatal, no entanto a expectativa de vida tem aumentado com o contínuo desenvolvimento dos novos tratamentos.

Cuidados que devem ser tomados?

Pergunte a qualquer novo parceiro sexual sobre a vida sexual dele ou dela. Homens homossexuais e bissexuais devem tomar cuidado e praticar o sexo seguro. Usar preservativo, e procurar fazer o teste de HIV.

Se tiver comportamento de risco, mas em seus exames obteve resultados negativos para presença de HIV, vá ao médico regularmente.

Se você é soropositivo:

- discuta com seu médico sobre o tratamento
- Certifique-se de que seu médico mantém-se atualizado a respeito de novos tratamentos disponíveis.
- Procure seu médico quando tiver um novo ou persistente sintoma.
- Sempre que notar uma mudança nas funções do corpo que causem preocupação, discuta a respeito com seu médico.
- Entre em contato com instituições locais de suporte a AIDS. Seu médico deve ser capaz de ajudá-lo a encontrar uma.

Como pode ser feita a prevenção da contaminação do vírus HIV?

Se você é soro positivo, deve:

- praticar sexo seguro: evite dividir secreções sexuais e sangue de qualquer maneira.
- Peça para seus parceiros sexuais fazerem o teste do HIV
- diga ao seu médico que você é soro positivo

Acrescentando:

- Não divida agulhas para o uso de drogas, tatuagens, ou aplicação de piercings corporais
- Evite engravidar
- Não doe sangue, plasma, sêmen, ou partes do corpo.

Como manter-se atualizado a respeito dos tratamentos para infecção do HIV?

As pesquisas continuam aumentando o conhecimento do vírus da imunodeficiência humana. Como resultado disso, tratamentos recomendados têm mudado muitas vezes. Estar a par destas mudanças pode ser difícil e frustrante. Você pode procurar manter-se atualizado com a ajuda do seu médico que deverá sempre estar a par das mudanças que possivelmente ocorrerão.